O que o médico vê no seu ouvido

Otoscopia mostrando um tímpano normal

O otoscópio é aquele aparelho de ponta cônica com uma luz. Ele endireita o conduto e ilumina o fundo, onde fica o tímpano. Tudo o que está nesta página cabe num círculo de menos de um centímetro.

Otoscópio no ouvido e a vista ampliada do tímpano
O otoscópio endireita o conduto e ilumina o tímpano, no fundo.

Compare os achados

Comece pelo tímpano normal e depois troque entre os achados. A imagem não muda de lugar, então o que salta aos olhos é a diferença.

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Pars tensaÂnulo (a borda)Pars flaccidaProcesso lateralCabo do marteloUmboTriângulo luminoso Vasos dilatadosTímpano abauladoPus atrás Nível de líquidoBolhas de arpresasCor de mel Placa de cálcioFuro no tímpano Furo de ventilaçãoTubo de ventilação Cera bloqueandoo conduto

Toque nos nomes da ilustração para ver o que cada estrutura é.

Referência. É com esta imagem que todas as outras são comparadas.

O que se vê num tímpano saudável

A membrana é acinzentada, translúcida e tem um brilho de pérola. Ela é fina o bastante para deixar entrever parte do que está atrás dela.

São quatro as referências que o médico procura toda vez:

  • Cabo do martelo. O primeiro dos três ossinhos fica encostado na membrana por dentro, e aparece como uma listra clara descendo até o centro.
  • Umbo. O ponto onde o cabo termina, no meio do tímpano, e também o ponto mais fundo.
  • Processo lateral. A saliência arredondada no alto do cabo, fácil de achar.
  • Triângulo luminoso. O reflexo da luz do otoscópio, em forma de cone apontando para baixo e para a frente. Ele só se forma quando a membrana está na posição e na tensão certas, o que faz dele uma das primeiras coisas a desaparecer quando algo não vai bem.

A faixa esbranquiçada em volta é o ânulo, o anel fibroso que prende o tímpano ao osso. A parte principal da membrana, esticada, se chama pars tensa; a pequena área frouxa acima do processo lateral é a pars flaccida.

Infecção com pus atrás do tímpano.

Otite média aguda

É uma infecção do ouvido médio, com pus acumulado atrás do tímpano.

A membrana fica vermelha e abaulada, empurrada para fora pela pressão. Os vasos sanguíneos, que normalmente não se destacam, ficam nítidos ao longo do cabo do martelo e na borda. O triângulo luminoso some. Quando há bastante pus, dá para percebê-lo por transparência, amarelado, na parte mais cheia.

Os sintomas costumam ser dor de início rápido, muitas vezes à noite, febre e audição abafada. Em bebês, o que aparece é irritabilidade, choro ao deitar e a mão no ouvido.

É comum surgir alguns dias depois de um resfriado, principalmente em crianças pequenas, porque a tuba auditiva delas drena mal.

Se a pressão rompe o tímpano, sai secreção pelo conduto e a dor alivia de repente. O episódio assusta, mas costuma ser um bom sinal: o ouvido se descomprimiu.

Líquido no ouvido médio, sem infecção aguda.

Otite média secretora (OMS)

Aqui há líquido no ouvido médio, mas não há infecção aguda em curso.

Repare que a membrana não está vermelha. Ela fica opaca, com cor de mel ou âmbar, e muitas vezes aparece uma linha atravessando o tímpano: é o nível entre o líquido embaixo e o ar que ainda resta em cima. Bolhas presas confirmam o achado.

Não dói e não dá febre, e é justamente por isso que passa despercebida por semanas. O que a pessoa sente é o ouvido tampado e o som abafado. Em criança pequena, o sinal costuma ser indireto: volume da TV alto, desatenção, pedir para repetir.

Este quadro tem um material próprio, com a explicação de como o líquido se forma e o que se faz em cada fase.

Um furo na membrana.

Perfuração do tímpano

Um furo na membrana, aqui bem no centro, com bordas limpas. Pelo buraco enxerga-se a mucosa rosada da parede do ouvido médio, lá no fundo.

As causas mais comuns são a otite aguda que rompeu o tímpano pela pressão, um trauma (cotonete, tapa no ouvido, mergulho) e o ponto por onde um tubo de ventilação saiu sem fechar depois.

Duas coisas mudam. Parte do som se perde, e a audição cai um pouco, em geral de forma leve. E o ouvido médio deixa de ser um ambiente fechado, então a água que entra pelo conduto alcança um lugar onde não deveria chegar.

Daí o cuidado principal: manter o ouvido seco. Boa parte das perfurações fecha sozinha em algumas semanas. As que não fecham podem ser corrigidas com cirurgia, a timpanoplastia.

A mancha branca e dura que aparece à esquerda é uma placa de cálcio, chamada timpanosclerose. É a cicatriz de inflamações antigas e normalmente não causa sintoma nenhum.

O carretel, colocado quando o líquido não sai sozinho.

Tubo de ventilação, o carretel

É um anel minúsculo instalado no tímpano quando o líquido do ouvido médio não sai sozinho. Ele assume o trabalho que a tuba auditiva deixou de fazer: pelo furo do meio, o ouvido volta a ser ventilado e o líquido drena.

A audição melhora logo depois da colocação, o que costuma ser a primeira coisa que a família nota.

O tubo não fica preso. Conforme o tímpano se renova, ele vai sendo empurrado para a borda e cai sozinho no conduto, em geral entre 6 e 18 meses. O pequeno furo que resta fecha na maioria dos casos.

Enquanto está no lugar, pode sair um pouco de secreção pelo furo, principalmente nos primeiros dias e durante resfriados. É o que a animação mostra. Secreção com mau cheiro, dor ou saída persistente merece avaliação.

Sobre entrar água, a orientação varia conforme o caso e o tipo de tubo. Pergunte ao seu médico o que vale para você em vez de seguir uma regra geral.

Cera acumulada fechando a passagem.

Rolha de cerume

Cera não é sujeira. Ela é produzida pela pele do conduto, protege contra água e microrganismos, e vai saindo sozinha, empurrada de dentro para fora pelo próprio crescimento da pele.

Só vira problema quando se acumula a ponto de fechar a passagem, como nesta imagem, em que o tímpano nem aparece. Aí a audição cai de repente. Muita gente percebe depois do banho ou da piscina, porque a cera incha com a água e completa o bloqueio.

O cotonete é o principal responsável. Ele retira um pouco na ponta e empurra o resto para o fundo do conduto, onde não existe mecanismo de limpeza.

A remoção é feita no consultório, com aspiração, curetagem ou lavagem, conforme o caso. Em cera muito endurecida, às vezes o médico prescreve gotas por alguns dias antes.

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