Otite média secretora: o ouvido com líquido
Otite média secretora (OMS), também chamada de otite média por efusão, "otite serosa" ou "ouvido com líquido".
Atrás do tímpano existe uma pequena câmara cheia de ar, o ouvido médio. É ali que ficam os três ossinhos que transmitem o som. Para funcionar bem, essa câmara precisa estar arejada, como um cômodo com a janela aberta.
Na otite média secretora (OMS), essa câmara se enche de um líquido espesso, parecido com cola. Não se trata de pus nem de infecção aguda, e por isso normalmente não dói e não dá febre. O que acontece é que o líquido segura o tímpano e os ossinhos, e o som passa abafado.
Corte do ouvido. À esquerda a orelha e o conduto; no centro o tímpano e os três ossinhos; à direita a cóclea. A tuba auditiva desce em diagonal até o fundo do nariz. Alterne os botões para ver a mesma orelha com ar e com líquido.
Toque nos nomes da ilustração para ver o que cada estrutura é.
O que a pessoa sente
- Ouvido tampado, como se estivesse dentro de um túnel ou debaixo d'água
- Audição diminuída, normalmente leve a moderada, e que pode ir e vir
- A própria voz soa alta ou ecoada dentro da cabeça
- Estalos ao engolir ou bocejar
- Às vezes leve desequilíbrio
- Dor é incomum. Se dói muito e dá febre, provavelmente é outra coisa (otite aguda)
Em crianças, o sinal costuma ser indireto
Crianças pequenas raramente dizem "estou ouvindo mal". O que os pais notam:
- Aumentar muito o volume da TV
- Não responder quando chamada de outro cômodo
- Perguntar "o quê?" com frequência
- Falar alto demais
- Desatenção ou queda de rendimento na escola
- Atraso ou travamento no desenvolvimento da fala
Por que acontece
Quase sempre a origem está na tuba auditiva, o canal de ventilação do ouvido, explicado na próxima seção. Quando ela para de abrir direito, o ar de dentro do ouvido é reabsorvido, cria-se uma pressão negativa, e a mucosa passa a produzir líquido para preencher o espaço.
Gatilhos comuns: resfriados e gripes recentes, rinite alérgica, sinusite, adenoide aumentada, refluxo, mudanças bruscas de pressão (avião, mergulho) e, em adultos, obstrução nasal crônica.
Na maior parte das vezes resolve sozinha. Os episódios que aparecem depois de um resfriado ou de uma otite aguda costumam desaparecer em até 3 meses sem nenhum tratamento, e é por isso que a conduta inicial recomendada é observar e reavaliar em vez de medicar.
Como se trata
Primeiros 3 meses: acompanhamento, tratando o que estiver por trás: rinite, alergia, sinusite. Antibiótico, descongestionante e anti-histamínico não resolvem o líquido em si e não são indicados de rotina.
Se persistir além de 3 meses com perda auditiva, ou se estiver afetando fala, escola ou a estrutura do tímpano, entra a opção cirúrgica: um tubo de ventilação (carretel), que é um pequeno anel colocado no tímpano para drenar o líquido e devolver a ventilação. A audição melhora imediatamente. Em crianças, muitas vezes se remove a adenoide na mesma cirurgia.
- A audição piorar de forma clara
- Surgir dor forte, febre ou secreção saindo do ouvido
- Aparecer tontura importante ou zumbido novo
- Houver perda auditiva de um lado só em adulto, sem resfriado prévio. Isso sempre merece investigação
Compare os quatro momentos
A ilustração é sempre a mesma e não muda de lugar, então o que salta aos olhos é só o que muda dentro do ouvido.




Cheio de ar, como deve ser. A tuba auditiva abre a cada vez que a criança engole e renova o ar dessa câmara. Com ar lá dentro, o tímpano vibra livre e o som passa sem obstáculo.
O líquido começa a se acumular. A tuba deixou de abrir direito, a mucosa foi absorvendo o ar e a câmara começa a encher por baixo. Repare na linha horizontal onde o líquido termina e o ar ainda resta: é o nível de líquido, um dos primeiros sinais que o médico procura. Nessa fase a audição já pode oscilar.
A câmara enche e o som abafa. O líquido fica espesso e sobe, deixando só algumas bolhas de ar presas no alto. Quando o médico enxerga essas bolhas pelo tímpano, elas confirmam que há líquido ali dentro. O tímpano e os ossinhos ficam presos nesse líquido, e a criança passa a ouvir como se estivesse debaixo d'água.
O tubo faz o trabalho da tuba. É um anel minúsculo colocado no tímpano, que deixa o ar entrar e o líquido sair. A audição costuma melhorar já nos primeiros dias. Com o tempo o tubo é expelido sozinho e o tímpano fecha.
Precisa de atendimento?
Agende sua consulta com o Dr. Rodolfo Bissoli na Centermed Vitória.