Adenoide, tuba auditiva e otite: como se conectam
Por que um tecido no fundo do nariz afeta o ouvido.
A adenoide é um acúmulo de tecido de defesa (linfoide) que fica no teto do fundo do nariz, logo atrás das narinas e acima do céu da boca. É parente da amígdala, mas fica em outro lugar, e não dá para vê-la abrindo a boca.
Ela faz parte do sistema imune e é útil na primeira infância. Cresce até por volta dos 3 a 7 anos e depois regride sozinha. Em adultos, geralmente já quase não existe.
Um detalhe anatômico explica a ligação: a saída da tuba auditiva no nariz fica a poucos milímetros da adenoide. São praticamente vizinhas de parede, e um problema em uma acaba virando problema na outra.
Corte lateral da cabeça. A adenoide fica no teto do fundo do nariz, a poucos milímetros da saída da tuba auditiva. Quando cresce, ocupa a via aérea (em azul) e comprime essa saída.
Toque nos nomes da ilustração para ver o que cada estrutura é.
Duas maneiras de a adenoide causar otite
1. Por obstrução mecânica. Uma adenoide grande ocupa o espaço do fundo do nariz e comprime a saída da tuba auditiva, impedindo que ela abra bem. Sem essa abertura o ouvido deixa de ser ventilado, e o líquido se forma.
2. Por ser um reservatório de germes. Esta razão é hoje considerada a mais importante. A superfície da adenoide pode abrigar um biofilme, que é uma comunidade de bactérias grudadas e protegidas, difíceis de eliminar com antibiótico. Ele alimenta uma inflamação crônica ali do lado, que mantém a mucosa da tuba inchada. Isso explica por que retirar a adenoide ajuda a otite mesmo quando ela não é tão grande assim.
Sinais de adenoide aumentada
- Respiração pela boca, principalmente durante o sono
- Ronco quase todas as noites; pausas na respiração ao dormir
- Sono agitado, sudorese noturna, criança acorda cansada
- Voz anasalada, como se estivesse sempre resfriada
- Nariz entupido crônico sem estar doente
- Otites de repetição ou OMS persistente
- Com o tempo, alterações no crescimento do rosto e da mordida ("fácies adenoideana")
Quando se retira
A adenoidectomia não é feita porque a adenoide "está grande" no exame. Ela é considerada quando há consequência real: apneia ou distúrbio respiratório do sono, obstrução nasal importante que não melhora com tratamento clínico, OMS persistente, ou otites de repetição.
Nos casos de OMS que já exigem tubo de ventilação, retirar a adenoide na mesma cirurgia reduz a chance de o líquido voltar e a necessidade de uma segunda cirurgia. O benefício é mais consistente em crianças acima de 4 anos.
É uma cirurgia rápida, feita pela boca, sem cortes externos e sem cicatriz visível. Retirar a adenoide também não deixa a criança "sem defesa": o resto do sistema imune assume a função sem prejuízo.
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