Ronco e respiração pela boca na criança

Corte lateral de criança dormindo com a via aérea estreitada por adenoide e amígdala aumentadas

O ronco não é normal em nenhuma idade. Na criança, quase sempre significa que o ar está encontrando dificuldade para passar enquanto ela dorme.

Durante o sono, a musculatura relaxa e o espaço por onde o ar passa fica naturalmente mais estreito. Quando existe alguma coisa ocupando esse espaço, o ar precisa forçar a passagem, e o tecido vibra. Essa vibração é o ronco.

Na infância, os dois responsáveis mais comuns são a adenoide, no fundo do nariz, e as amígdalas, na garganta. Costumam crescer juntas, e é por isso que muitas vezes se tratam as duas.

Corte lateral da cabeça de uma criança dormindo, com adenoide e amígdalas de tamanho normal e a passagem do ar livre do nariz até a traqueia.O mesmo corte, agora com a adenoide e a amígdala aumentadas estreitando a passagem do ar.Cavidade nasalCéu da bocaLínguaAdenoideAmígdalaPassagem do ar

O ar entra pelo nariz, passa por trás do céu da boca e desce pela garganta. Quando a adenoide e a amígdala crescem, ele trava nos dois pontos marcados em vermelho, e o pouco que passa vibra no caminho. Essa vibração é o ronco.

Toque nos nomes da ilustração para ver o que cada estrutura é.

Adenoide e amígdalas: quem é quem

As duas são tecido de defesa, fazem parte do sistema imunológico e todo mundo nasce com elas. Crescem nos primeiros anos de vida, atingem o auge por volta dos 4 aos 6 anos e depois vão regredindo. Ter adenoide e amígdalas não é doença.

O problema aparece quando crescem além do espaço disponível. A adenoide fica no teto do fundo do nariz, onde não dá para ver pela boca, e por isso o diagnóstico costuma pedir uma endoscopia nasal. Já as amígdalas ficam visíveis quando a criança abre a boca.

Garganta vista de frente com amígdalas de tamanho normal, pequenas e afastadas uma da outra
Tamanho normalAs amígdalas ficam alojadas nas laterais, com bastante espaço livre entre elas.
Garganta vista de frente com as duas amígdalas muito aumentadas, quase se encostando no meio
Muito aumentadasOcupam quase todo o espaço e chegam perto de se encostar no meio.

O que os pais costumam notar à noite

E o que aparece durante o dia

Esta é a parte que costuma passar despercebida, porque ninguém liga uma coisa à outra. A criança que não dorme bem à noite não fica sonolenta como um adulto: ela fica agitada.

Atenção especial ao déficit de atenção. Crianças com obstrução respiratória no sono às vezes recebem primeiro o rótulo de desatentas ou agitadas na escola. Vale investigar a respiração antes de concluir.

Quando a respiração pela boca dura anos

Respirar pela boca por muito tempo, na fase em que a face está crescendo, pode influenciar o desenvolvimento do rosto, do céu da boca e do posicionamento dos dentes. Quanto mais cedo o problema é identificado e tratado, menor a chance de essas mudanças se consolidarem.

Por isso a avaliação costuma envolver também o dentista ou o ortodontista, e às vezes a fonoaudiologia.

Como se investiga

A conversa sobre como é a noite da criança já diz muito, e o relato dos pais é a parte mais importante. No exame, olha-se a garganta e o nariz. A adenoide, por ficar escondida, costuma ser avaliada por endoscopia nasal, um exame rápido e bem tolerado, ou por radiografia em alguns casos.

Quando há suspeita de pausas respiratórias importantes, pode ser indicado um estudo do sono (polissonografia).

O tratamento

Nem toda adenoide ou amígdala aumentada precisa de cirurgia. Muitos casos melhoram com tratamento clínico, principalmente quando há rinite associada, e parte das crianças melhora com o próprio crescimento, já que essas estruturas regridem com a idade.

A cirurgia entra em cena quando existe obstrução importante da respiração, pausas no sono, infecções de repetição, ou quando o tratamento clínico bem conduzido não resolveu. É um procedimento comum, de recuperação rápida, e a melhora do sono costuma ser percebida pela família nos primeiros dias.

Quando procurar avaliação

Vale marcar uma consulta se a criança:

O ronco na criança tem causa, tem investigação e tem tratamento. Não é preciso esperar para ver se passa.

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Agende sua consulta com o Dr. Rodolfo Bissoli na Centermed Vitória.

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