Pós-operatório de septo e cornetos: o que esperar semana a semana
A cirurgia que corrige o desvio de septo e reduz os cornetos costuma ser bem tolerada. A maior dificuldade do pós-operatório quase nunca é a dor: é a paciência. Nas primeiras semanas o nariz fica mais entupido do que antes da cirurgia, e isso é parte esperada da recuperação, não sinal de que algo deu errado.
Entender de antemão como é essa curva evita muito susto. Se você ainda tem dúvida sobre o que cada estrutura faz, vale ler antes o guia sobre cornetos nasais e septo.
Vai doer?
Dor intensa não é o esperado. O desconforto mais comum é sensação de peso e entupimento no rosto, dor de cabeça leve e garganta seca de tanto respirar pela boca. A maioria das pessoas se controla bem com o analgésico simples que a equipe orientar. Dor forte, que aumenta com o passar dos dias em vez de diminuir, é motivo para entrar em contato.
Os primeiros dias
Nos dois ou três primeiros dias, conte com:
- Nariz bastante obstruído, com respiração predominantemente pela boca
- Saída de secreção sanguinolenta escura, que vai clareando aos poucos
- Inchaço leve ao redor do nariz e dos olhos em algumas pessoas
- Garganta seca e mau hálito, consequência de respirar pela boca
- Sono mais fragmentado nas primeiras noites
Dormir com a cabeceira elevada ajuda bastante a reduzir o inchaço e a sensação de pressão. Repouso relativo: caminhar dentro de casa está liberado, esforço não.

A lavagem nasal é o tratamento, não um detalhe
Esse é o ponto mais importante de todo o pós-operatório. Depois da cirurgia, o nariz forma crostas de sangue e secreção ressecada. Se elas não forem removidas, atrapalham a respiração, prolongam o inchaço e favorecem infecção e aderências entre as paredes internas do nariz.
A lavagem com soro fisiológico é o que dissolve essas crostas. Ela precisa ser feita com volume generoso e várias vezes ao dia, porque um leve borrifo não resolve. Faça com a boca aberta, sem prender a respiração, e não assoe o nariz depois: apenas deixe escorrer.

Muita gente lava pouco por medo de machucar a cirurgia. É o contrário: lavar pouco é que atrapalha a cicatrização. A frequência e o volume exatos são os que o seu cirurgião orientou na alta.
Por que o nariz parece piorar na segunda e na terceira semana
Essa é, de longe, a fase que mais gera preocupação. Por volta da segunda semana, o inchaço interno atinge o pico e as crostas estão no auge. O resultado é um nariz que parece mais fechado do que estava logo depois da cirurgia, e às vezes mais fechado do que antes dela.
Não é recaída, e não é sinal de que a cirurgia falhou. É inchaço, e ele passa. Manter a lavagem nesse período é justamente o que encurta essa fase.

O que evitar nas primeiras semanas
- Assoar o nariz com força
- Esforço físico, academia e levantar peso
- Abaixar a cabeça por tempo prolongado
- Sol forte, calor excessivo, sauna e banho muito quente
- Piscina, mar e mergulho
- Cutucar ou tentar arrancar crostas com o dedo ou cotonete
- Cigarro, inclusive o convívio com fumaça
- Bebida alcoólica no período orientado pela equipe
Se precisar espirrar, espirre de boca aberta. Segurar o espirro joga pressão para dentro do nariz e do ouvido.
Quando o nariz desentope de verdade
A melhora costuma ficar evidente entre a quarta e a sexta semana, quando as crostas já saíram e o inchaço cedeu boa parte. O resultado definitivo, porém, leva mais tempo: o inchaço interno pode demorar até cerca de três meses para desaparecer por completo, às vezes um pouco mais.
Por isso não vale julgar o resultado da cirurgia na segunda semana, nem no primeiro mês.
As consultas de revisão importam
Nas primeiras semanas são feitas limpezas no consultório, sob visão direta, para retirar crostas que a lavagem em casa não alcança e verificar se as paredes internas do nariz estão cicatrizando separadas, sem aderências. São consultas rápidas, e faltar a elas é uma das causas evitáveis de resultado abaixo do esperado.
Sinais de alerta: entre em contato
Procure a equipe ou um serviço de urgência se aparecer:
- Sangramento vermelho-vivo, em quantidade, que não cede com compressão
- Febre
- Dor forte que aumenta progressivamente
- Secreção com odor forte ou aspecto purulento
- Inchaço importante ao redor dos olhos, ou alteração da visão
- Dor de cabeça intensa com rigidez da nuca
Nenhum desses é comum, mas todos merecem avaliação rápida.
Quando procurar avaliação
Se você tem obstrução nasal persistente, dorme de boca aberta, acorda com a garganta seca ou já usa descongestionante com frequência, vale investigar a causa antes de pensar em cirurgia, porque nem toda obstrução se resolve no centro cirúrgico. O texto sobre desvio de septo nasal ajuda a entender quando a correção costuma ser indicada.
Para avaliar seu caso, agende uma consulta pelo WhatsApp.
Precisa de atendimento?
Agende sua consulta com o Dr. Rodolfo Bissoli na Centermed Vitória.